ARTIGO: A decisão que define o futuro de Porto Alegre

Claudio Teitelbaum

Representante do Movimento Porto Alegre+ e presidente do Sinduscon-RS

Publicado no jornal Zero Hora, no dia 18/03/2026

Esta semana iniciou um momento decisivo para a capital gaúcha: a votação para aprovação do novo Plano Diretor de Porto Alegre. O documento define como a cidade vai crescer, se desenvolver e enfrentar desafios como mobilidade, habitação e mudanças climáticas.

O Plano Diretor é um instrumento central de planejamento urbano, cuja legitimidade decorre do debate público amplo, da participação social e da decisão dos representantes eleitos pela população. O atual processo de revisão do Plano Diretor de Porto Alegre foi conduzido ao longo de anos, com um dos mais amplos processos participativos já realizados no município.

A cidade de Porto Alegre tinha, no início dos anos 2000, cerca de 1,3 milhão de habitantes e a região metropolitana, 3 milhões. Passados 25 anos, a capital permanece com os mesmos 1,3 milhão de pessoas, enquanto a região metropolitana soma mais de 4 milhões. Este dado é o retrato de que a cidade deixou de ser atrativa para viver e isso é extremamente preocupante.

Toda cidade que deseja crescer de forma organizada precisa de planejamento. O Plano Diretor é o instrumento que orienta onde a cidade pode crescer, como deve crescer e sob quais critérios esse crescimento acontece. Uma cidade sem previsibilidade perde competitividade e oportunidades. Planejar também é proteger. E quando falamos de Porto Alegre, a temática torna-se ainda mais relevante, especialmente pela enchente vivida em 2024.

Além disso, as definições urbanísticas impactam diretamente a vida das pessoas, como a mobilidade, os serviços oferecidos nos bairros, o valor dos imóveis, os espaços de convivência, entre muitos outros. Cidades que avançaram na atualização de seus marcos regulatórios ganharam dinamismo e capacidade de atrair investimentos. Porto Alegre tem tradição de protagonismo e debate público qualificado. O momento exige comprometimento com as próximas gerações. A aprovação de um Plano Diretor atualizado não é vitória de um setor ou de uma gestão, mas um pacto com o futuro da cidade.