Associação Comercial de Porto Alegre, que integra o Movimento Poa+, debate “O Futuro da Jornada de Trabalho”

Os impactos da PEC do fim da jornada 6×1, um dos temas mais relevantes para o futuro do trabalho e da economia brasileira, foi debatido no tradicional Menu POA, promovido pela Associação Comercial de Porto Alegre. Lideranças de cinco entidades ligadas ao Movimento POA+ estiveram à frente do painel, que evidenciou com dados e números um prognóstico preocupante para o Brasil, caso esta PEC seja aprovada.

O economista-chefe da CDL Poa, Oscar Frank, estima para uma perda de 43 mil postos de trabalho formal no RS, sendo que cerca de 11,5 mil apenas no comércio. No setor hoteleiro, o presidente do Sindicato de Hotéis de Porto Alegre, Oscar Henrique Schmidt, prevê que os negócios terão aumento de, aproximadamente, 20% na folha de pagamento, o que pode tornar o negócio inviável para os médios e pequenos hotéis.

Já o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do RS, Leonardo Dornelles, destaca que 24% dos restaurantes já operam com prejuízo e que com o aumento do custo da hora trabalhada, este número deve aumentar, inclusive com o fechamento de muitos estabelecimentos. O consultor jurídico do Sindilojas Porto Alegre, Flávio Obino Filho, salienta que estes fatores devem gerar um aumento no custo de vida em torno de 12%. Para o vice-presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região, Sandro Zanette, os restaurantes terão que reajustar os valores entre 10% e 15% e toda esta conjunção irá provocar um grande aumento no trabalho informal.

Portanto, diante destas projeções preocupantes, o Movimento POA+ entende que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser debatidas com profundidade, responsabilidade e ampla participação dos setores envolvidos. Uma pauta com potencial impacto direto na geração de empregos, nos custos operacionais das empresas, na competitividade e no custo de vida da população não pode avançar sem diálogo técnico e análise consistente de seus efeitos econômicos e sociais.

O futuro do trabalho exige equilíbrio, previsibilidade e decisões responsáveis, capazes de proteger empregos, estimular o desenvolvimento econômico e garantir sustentabilidade para quem empreende e gera oportunidades.